julio dain = sons + palavras + imagens + quem + onde + quando + contato + this site in english ce site en français
Julio Dain é um compositor, cantor e instrumentista (piano e violão), nascido no Rio de Janeiro, onde aprendeu a gostar de fazer música e poesia. Aos 23 anos, embarcou para Paris, França, onde viveu 8 anos e compôs a maior parte de seu repertório – cerca de 40 canções e alguns temas instrumentais. Lá, produziu seu primeiro disco, Outro Vento, lançado no Brasil em março 2008, pelo selo "Biscoito Fino". De volta ao Rio de Janeiro, foi selecionado no edital "Petrobrás Cultural 2007", que lhe conferiu apoio financeiro para a produção do seu segundo CD, Apenas Humano, lançado em dezembro de 2009.

O que dizem

APENAS HUMANO
Os dois versos que iniciam a terceira faixa - "sejamos amorais, façamos o que não se faz"- podem servir como mote para uma escuta investigativa do CD "Apenas Humano", de Julio Dain. A MPB de Caetano e companhia é seu pano de fundo, mas sua indumentária é particular, combinando e costurando elementos da vestimenta paulista de Arrigo Barnabé, das desconstruções melódicas de Thelonious Monk e dos haikais de paulo Leminski.
Julio conhece e domina as engrenagens da canção: seu canto é seguro, seu é piano consistente e sua verve é especulativa. Se "Ficção Científica" (faixa cinco) tem 105 versos, a nona faixa, "Morcegos", tem apenas sete: "como o amor/ cegos/ como um nó/ cego/ como dois mor-/ cegos/ dançávamos na noite".
E Dain vai além. Atento ao lado instrumental que toda canção detém, cerca-se de músicos inventivos e envolve o ouvinte em sonoridades diversas.
"Apenas Humano" é mais uma evidÊncia incontestável da existência de vida inteligente na canção que circula fora da atmosfera das rádios e TVs comerciais. Ao fazer "o que não se faz", Dain se faz útil. E necessário.
SERGIO MOLINA - 26 de fevereiro de 2010 - Guia da Folha - Folha de São Paulo
.......................................................................................................................
EM SEU NOVO CD, JULIO DAIN ESTÁ AINDA MAIS DESABUSADO
A cilada que pode ser o segundo disco de um iniciante passou ao largo de Apenas Humano (independente, com apoio da Petrobras). Das 14 faixas, 13 têm música e letra de Julio Dain e uma tem versos de Carlos Bernardo.
Em seu segundo disco, Dain está ainda mais veemente. A manha para criar melodias audaciosamente elaboradas aguçou-se; a busca por palavras que comporão versos igualmente diferenciados acentuou-se. E a música de Julio soa como um sopro de vitalidade ainda mais marcante.
Álbum que, com a unidade característica dos que têm claro o sentido da expressão, alastra amplitudes, Apenas Humano é a imagem de um jovem talentoso que sabe que sabe ir além no desempenho do seu ofício.
“Bom Élevè” (Julio Dain) abre e dá o tom do álbum. A longa e fecunda letra teve como ponto de partida a frase dita ao autor pela musa de uma de suas músicas: “A vanguarda hoje é meio démodé”. Tudo a ver. Em sua interpretação, nessa como em outras faixas, Julio é performático. Seja cantando ou tocando, ele nunca teme expor-se, muito menos recusa experimentações de qualquer ordem, sejam elas estéticas ou conceituais – não fosse ele filho do grande compositor Renato Rocha.
No piano, no teclado, no Fender Rhodes ou na guitarra, com voz que se fortalece nos graves, acentua-se na região intermediária e esforça-se nos agudos, Dain está sempre pronto para desafiar seu vasto limite.
Os arranjos de Bia Paes Leme, Marcelo Caldi, Paulo Malaguti, Henrique Band, Antonio Saraiva e do próprio Dain são tudo do que as composições precisam para assumir seu ar cada vez mais excitante e, a cada compasso, a cada sílaba, ser mais atual.
Contando com atuações inventivas, fruto do talento de Lui Coimbra (cello), Marcos Suzano (percussão), Mário Seve (flautas e pífano), Roberto Marques (trombone), Sérgio Reze (bateria), Marcelo Costa (bateria), Pedro Sá (guitarra), Edu Morelenbaum (clarinete e clarone), do grupo vocal Folia de 3 (Marianna Leporace, Eliane Tassis e Cacala Carvalho), dentre outros, cada acorde soa impregnado pelo ardente e profano desejo de seduzir.
O sumo do que é o instrumentista, cantor e compositor Julio Dain está em “Saliêncio”. A simplicidade desta música, cheia de veredas e desvios, causa espanto em quem a ouve. E, mais uma vez, faz sobressair a vocação performática de Julio, em apenas quatro versos – e para que mais!? Piano e baixo dão início à introdução, que desemboca numa pujante levada. A voz é grave, é profunda. Tudo como um mantra. No intermezzo, clarinetes, oboé e fagote; a bateria os transporta de novo para a levada rítmica. Esplêndido!
“Morcegos”, apenas com guitarra e a voz reverberando, é nova fonte de deslumbramento, com seus poucos versos: “Como o amor/Cegos/Como um nó/Cego/ Como dois mor-/Cegos/Dançávamos na noite”.
Apenas Humano é isso e mais: ouvir o som de Julio Dain é como se deixar levar por um instante de euforia em que tudo na vida parece, enfim, fazer sentido.
Aquiles Rique Reis, músico e vocalista do MPB4 - Meio Norte (Teresina), A Gazeta (Cuiabá), Jornal da Cidade (Poços de Caldas), e no Brazilian Voice (uma publicação voltada para os brasileiros residentes em toda Costa Leste dos EUA)
.......................................................................................................................
JULIO DAIN LANÇA SEGUNDO TRABALHO
Álbum Apenas humano tem participação de músicos do Aquarela Carioca

Depois de dez anos radicado na França, o compositor carioca Julio Dain volta a estabelecer residência em terra brasileira. Na bagagem trouxe um disco pronto, que imediatamente ganhou elogios e chamou atenção. Mas o olhar já apontava para o segundo trabalho e isso ele deixou claro desde sempre. Cerca de um ano depois, com patrocínio da Petrobras, Julio lança o álbum Apenas humano, com distribuição da Tratore, e apresenta suas novas cartas.
Julio Dain chamou atenção quando editou no mercado brasileiro o CD Outro vento. Gravado em sua temporada européia, chegou ao Brasil em 2008 pela Biscoito Fino. Nele o compositor se apresentava acompanhado por um quarteto de jazz. Aqui experimenta novas formações. O trabalho foi cuidadosamente burilado durante nove meses de estúdio e o resultado é um disco rico, de sonoridade variada mas sem perder sua tônica. Julio Dain divide produção e arranjos de base com Paulo Brandão.
A ficha técnica revela nobres participações de alguns dos maiores músicos brasileiros. A presença de Paulo Brandão traz outros membros do grupo Aquarela Carioca: Marcos Suzano (percussão), Lui Coimbra (violoncelo), Mário Sève (flauta) e Paulo Muylaerte (guitarra). O trio vocal Folia de 3 faz gostoso dueto com o artista em três músicas, com destaque para Legítima defesa.
Toda pompa é justificada pela riqueza da música apresentada. Quase como um mantra, Julio abre seu disco afirmando "A vanguarda é meio démodé". A frase de efeito enfeita Bon élève, canção de amor que não segue caminhos convencionais e apresenta uma receita particular sem ingredientes. Fica claro que o compositor Julio busca seus próprios caminhos de criação.
A faixa-título é dos melhores momentos, com destaque para criativo arranjo de metais assinado por Henrique Band. Ao longo do disco as ricas letras revelam jogos de palavras inteligentes em composições do próprio Julio Dain. A trama de rimas é destaque em No olho do furacão e na ótima história de Ficção científica, longa letra que não se enquadra em medíocres padrões radiofônicos.
Em alguns momentos Julio Dain lembra as linhas mais sofisticadas de Djavan, referência também na voz. Sua música é de coração brasileiro no samba sofisticado com o jazz livre que procura novos acordes para a melodia inspirada. Com talento bem acima da média das últimas revelações impostas pela mídia, Julio Dain é cantor, compositor e músico para se prestar atenção e acompanhar de perto.
Beto Feitosa - Ziriguidum - http://www2.uol.com.br/ziriguidum/0912/091207-01.htm
.......................................................................................................................
"Ainda tem novos e bons compositores."
(Sobre Julio Dain e Marcelo Caldi).
Antônio Carlos Miguel - O Globo - Sonar - Terça-feira, 8 de dezembro de 2009
.......................................................................................................................
APENAS HUMANO - JULIO DAIN
Bendito fruto entre tantas vozes femininas da MPB, Julio Dain abre caminho entre os cantores românticos e a reverência excessiva à velha guarda no CD Apenas humano. Da experiência como instrumentista vêm as divisões criativas de temas como Ao léu, Ficção científica e Iminência, amparadas por um time de músicos onde jogam o flautista Mário Sève, o guitarrista Pedro Sá e o violoncelista Lui Coimbra.
Além de bons sambas, como a faixa-título e Bon élève, Dain extrai o máximo das palavras, à maneira da Vanguarda Paulista, em Morcegos e Saliêncio.
Ricardo Schott - JB - Terça-feira, 1 de Dezembro de 2009
.......................................................................................................................
HUMANO SEM CARBONO
Carioca que morou 10 anos na França, de onde voltou, em 2007, com um ótimo disco, o minimalista Outro Vento, Julio Dain expande limites em Apenas Humano (independente). Em mais este disco autoral (Legítima defesa, Outra dimensão, Saliêncio, Morcegos, Nada em si, Ficção científica) há vários tipos de abordagens instrumentais. Participam Mários Sève (flauta), Lui Coimbra (cello), Paulo Muylaert, do Aquarela Carioca, (guitarra e mais Pedro Sá (guitarrista e produtor do Caetano Veloso), o baterista Marcelo Costa (Lulu Santos), o baixista Bruno Migliari (Ana Carolina) e o baterista Sérgio Reze (André Mehmari). As melodias angulosas, contrarritmadas, na contramão do clichê, definem-se a partir de Bon élève: "A vanguarda hoje é meio demodée/ eu quis fazer um samba pra você/ nele botei toda a tecnologia dos meus sentimentos". O CD tem o carimbo carbon free. Suas emissões de carbono foram neutralizadas através do plantio de árvores.
Tárik de Souza - JB - Sexta-feira, 27 de Novembro de 2009
.......................................................................................................................
"MELODIAS E VERSOS INCONFORMISTAS
Quem é este que chega de Paris e logo lança um CD? Quem é este compositor, arranjador e pianista que se dispõe a batalhar no mercado? Julio Dain! Tudo bem, dirá você, leitor, mas o que ele faz que possa me tocar a alma?
Em primeiro lugar, Julio o surpreenderá. Suas melodias são absolutamente admiráveis. Tanto que, numa primeira audição, a sensação de estranhamento poderá causar certo desconforto. Mas ligue não, prezado leitor: logo você perceberá que a linha melódica com ares de atonalidades que brota com a letra é a marca belamente registrada do jovem Julio.
Se o moço tem a manha da melodia audaciosamente elaborada, tem também o mapa para buscar palavras que comporão versos igualmente diferenciados. Tudo junto, mais o auxílio de uns poucos e bons músicos, parceiros de estrada e vivência musical pelos palcos do mundo, e a música de Julio Dain nos chega feito sopro de vitalidade e frescor.
Em sua volta à terra, o menino, adulto amadurecido, lança Outro Vento (Biscoito Fino). E, de fato, as suas 12 faixas soam como vento presenteador a levar e trazer belezas plenas de audácias que se espalham sobre tudo o que encontram pelo caminho.
Partindo de uma formação instrumental tradicional, piano (Julio Dain), baixo (Fabrizio Fenoglietto), bateria (Luis Augusto Cavani), percussão (Edmundo Carneiro) e, eventualmente, violino (Line Kruse), sax e flauta (Bobby Rangell), trombone Edivandro Borges) e a voz de Ligiana Costa, os arranjos seguem o mote dado pela música criada por Julio: impensável, até que se revele; surpreendente, até que se ouça.
Cantor que dispensa exuberâncias e se reforça em voz personalíssima, Julio é também um pianista e tecladista extremamente competente. Do início ao fim, Outro Vento é manifestação de um som e de uma poesia que passam ao largo do pré-estabelecido.
Na letra de “Consciência X Sensação”, a faixa três do álbum, Dain brinca com o “com” de “consciência” e o “sem” de “sensação”. Bela sacada que lhe permite compor versos transcritos no encarte, sem pontuação, como estes: “(...) Sem lenço e sem documento sempre sempre sem cem por cento/ Tudo agora é consentido sem sentido e com sentimento.” O piano começa e traz consigo o ritmo da bateria. Mas é a voz de Ligiana que Julio encarrega de realçar os seus “sem” e “com”. A modernidade da palavra cantada e da nota tocada nos faz ter certeza de que estamos diante de algo criativamente fértil.
Sim! Estamos diante de um jovem que dispensa bons acertos já experimentados por outros de gerações anteriores à sua e também sacadas de jovens contemporâneos seus.
A faixa quatro, “Prelúdio”, é instrumental. O piano é quem comanda, enquanto o baixo lautamente auxilia. Curtinha, pouco mais de 60 segundos, ela funciona como uma iniciação para “Elevado a Dois”, a faixa que vem logo a seguir. Canção amorosa, sem pieguices já exauridas, ela vale-se da abertura instrumental para ser eficaz em sua disposição de demonstrar afeto por meio de palavras e do soar das notas do sax. 
“Que Linda Japonesa” reforça o rol de surpreendências reservadas por Julio aos ouvidos que lhes dêem atenção. Com o baixo chamando e a bateria percutindo suavemente as peles com as vassourinhas, o piano de Dain reforça com teclas atacadas o canto da melodia. Embora pareçam apartadas, letra e música se fazem vigorosamente juntas, atualizadas pelo som que nos dão.
Em “Nas Entrelinhas”, Julio demonstra um belo grave que ressalta a letra de uma beleza tão simples quanto intensa. “O que nas entrelinhas tem seu cume/ Assim tal nome, tal palavra assume/ Forma que não se vê, mas se presume (...)”, canta ele. E surge o violino, total colorindo a aflita emoção.
Tudo em Outro Vento vem da intensa beleza que traduz o que vai n’alma musical do criador que sabe o que quer e arrisca querer o que surpreende. Tantos são os ventos que o impulsionam, e eles mudam tanto ao sabor de seu sopro vital, que tudo assombra, tudo excita para a música."
Aquiles Rique Reis, músico e vocalista do MPB4
Diário do Comércio - SP - 18 de Maio de 2008
.......................................................................................................................
Novos ares na música brasileira
Cantor, compositor e instrumentista carioca lança seu primeiro CD no Brasil após longa experiência artística na França
A delicadeza de arranjos acústicos e minimalistas com direito a improvisações pontuais. Ora com a formação do conhecido trio jazzístico (piano, contrabaixo e bateria), ora com o quarto elemento (percussão) e mais alguns instrumentos solistas. Entretanto, sem espaço para categorização de um disco clássico. ‘‘Outro Vento’’ veio trazer à cena musical brasileira o cantor, compositor, pianista e violonista carioca Julio Dain em seu primeiro CD lançado pela Biscoito Fino.

  Gravado na França, país onde o artista residiu durante quase dez anos, o álbum revela 12 músicas compostas e interpretadas por ele. Para completar a sonoridade do disco, Dain convidou os músicos Bobby Rangell (sax e flauta), Edivandro Borges (trombone), Edmundo Carneiro (percussão), Fabrizio Fenoglietto (assovio, baixo acústico e elétrico), Ligiana Costa (coro), Line Kruse (violino) e Luís Augusto Cavani (bateria).

  No ano passado, quando retornou ao Rio de Janeiro, além do reconhecimento do público, Dain também foi selecionado no edital Petrobras Cultural 2007, cujo resultado é a produção de seu novo CD, no qual trabalha em paralelo, embora esteja em ‘‘Outro Vento’’ a direção para a qual o artista se volta atualmente. Com exclusividade para a Folha2, Julio Dain falou, entre outros assuntos, sobre suas experiências em Paris, as influências musicais e a situação da indústria da música. Confira os principais trechos da entrevista.

  A opção de ir para França e desenvolver o seu trabalho musical por lá se justifica por quais motivos?

  Eu parti para a França aos 23 anos, com a mochila nas costas e o desejo principal de conhecer e viver experiências no Velho Mundo. Não sabia que passaria quase 10 anos lá. Quando parti, o meu trabalho estava em processo de construção, ainda não estava com a cara atual, ou seja: focado na forma da canção, sendo esta interpretada principalmente ao piano. Na época, eu era pianista e compunha temas instrumentais, por um lado, e escrevia poesias por outro. Estas duas tendências aos poucos foram se fundindo na forma de canções as quais eu cantava inicialmente ao violão. Então, foi na França que amadureci e compus a maior parte do meu repertório e que desenvolvi arranjos onde me acompanho principalmente no instrumento que toco melhor, ou seja, o piano. Assim, acredito que o grande mérito profissional desta minha estadia foi o de ter construído meu trabalho de modo a poder trazê-lo ao Brasil, digamos, ‘‘pronto’’, sob a forma de um CD.

  Acredita que o território brasileiro está saturado?

  Não. Eu, que voltei há apenas um ano, acredito que a música no Brasil está passando por um momento muito promissor. Embora conheça bem mais o que se passa no Rio do que nos outros Estados, percebo à minha volta um grande afã artístico; as pessoas buscando novidade, qualidade. É verdade que estamos no meio de uma crise imensa no mercado fonográfico, que, aliás, é internacional. Não se sabe bem o que vai ser a profissão de músico no futuro. Com certeza ela vai mudar. Mas sou otimista quanto à adoção de novas soluções, formas de desenvolvimento e estímulo à cultura, como as leis de incentivo e o mecenato (do que, aliás, não posso reclamar, pois meu próximo disco está sendo financiado pela Petrobras Cultural).

  São notáveis em ‘‘Outro Vento’’ algumas harmonias que revelam discretas influências de Chico Buarque, Gilberto Gil, Francis Hime e até Djavan, além de jazz e música clássica. Quais outros artistas e vertentes musicais que você considera fundamentais para a sua formação de instrumentista, cantor e compositor?

  Já ouvi muita coisa diferente e acredito que o meu trabalho reflita esta diversidade, de modo que quase seria possível falar das influências, música por música. De modo geral, minhas influências principais são o jazz e a MPB. Da MPB, poderia citar outros nomes consagrados - como Tom Jobim e Caetano Veloso - ou menos consagrados, mas que são referências igualmente importantes para mim - como Arrigo Barnabé, Luis Tatit, Tom Zé ou Jards Macalé. Sempre gostei dos artistas que ousam sair dos padrões, como Frank Zappa ou Thelônious Monk. Quando comecei a tocar piano, meu ídolo era Bill Evans. E ouvi bastante música clássica.

  Você está no Brasil desde o ano passado. Neste período, retornou alguma vez a França? Sendo contemplado no edital Petrobras Cultural 2007, você irá permanecer no Rio de Janeiro durante toda produção do novo CD em paralelo à divulgação de ‘‘Outro Vento’’? Aliás, há possibilidade de antecipar algo sobre o seu novo CD?

  Sim, eu volto regularmente à França, onde tenho uma filha e, também, uma carreira que não pretendo abandonar, apesar de viver no Brasil. A gravação do novo CD será feita no Rio, mas não me impedirá de fazer viagens de divulgação de ‘‘Outro Vento’’. Na verdade, a agenda de shows fora do Rio ainda não está definida. O futuro CD se chama “Ficção Científica” e reunirá 14 composições minhas. Por enquanto estou em período de seleção do repertório e já cheguei a 18 (ou seja, ainda tenho que descartar 4...). Chamei para co-produzir o disco comigo um produtor carioca excelente: Paulo Brandão. No disco “Outro Vento”, eu optei pela formação acústica e minimalista o trio (piano, contrabaixo e bateria) ou quarteto (com percussão), tendo participação eventual de instrumentos solistas, como o sax, a flauta,o trombone ou o violino. Optei por esta formação “clássica”, embora a meu ver, não se trate de um disco clássico. O “minimalismo”era um pouco a proposta do disco. Já em “Ficção Científica”, estou aberto para outras sonoridades, pois acho que o repertório (como sugere o próprio nome do disco) pede isto. Ao contrário do que fazem alguns, eu não considero os sons eletrônicos imprescindíveis, o que está exemplificado em “Outro Vento”. Mas, por outro lado, não tenho nada contra eles, e acho que eles terão seu lugar em “Ficção Científica”.
Liliana Onozato | FOLHA DE LONDRINA, 01/06/08
.......................................................................................................................
"Julio Dain traz outros ventos em sua música | Compositor carioca mostra obra com personalidade em primeiro CD
Julio Dain viveu em Paris por oito anos. Lá gravou, entre 2006 e 2007, seu primeiro disco. Outro vento ganha lançamento brasileiro pela Biscoito Fino enquanto Julio, de volta ao Rio, já prepara o próximo trabalho.
Na capital da França trabalhou como músico em pequenas casas de shows. Também fez apresentações abrindo espetáculos de músicos brasileiros que passavam pela cidade como Hamilton de Holanda, Pedro Luís e a Parede e Forroçacana. Nessa temporada compôs a maior parte de seu repertório, que soma cerca de 40 canções.
Cantor, compositor, pianista e violonista, Julio Dain traz ótimas e sofisticadas melodias. Julio tem um pé no jazz e desenvolveu linguagem própria que fica clara ao longo das doze músicas que apresenta em Outro vento. O tema que abre o disco, De calçada em calçada brinca com o compasso em um arranjo muito bem elaborado, que é ornamentado por boa letra. Assim segue o trabalho, com ótimas surpresas.
A saudade de casa rendeu a ode Calamidades naturais, que fecha o disco. "Brasil, um país sem vulcões / Sem furacões, terremotos ou tufões (...) Suas calamidades naturais / O homem é quem faz". Julio flerta com um pop-jazz em Consciência X Sensação, vai de bossa na faixa-título e multiplica vozes com ecos nordestinos em Quanto, rasta-pé ao piano.
Em alguns momentos, como na balada Elevado a dois, sua linha pode apontar para Djavan. Mas na verdade do compositor alagoano Julio traz o fascínio pelos acordes, pela experiência musical de construir uma teia elaborada e bela. Nesse meio de campo dissonante, Julio revela um leve humor carioquíssimo. Como em Ataque surpresa, irresistível história de uma japonesa que "quase me causa uma crise conjugal". A música, trilha sonora para o poema, mistura sons que remetem ao oriente. "Se me sobrasse um coração eu então / Lhe daria com certeza", resolve.
Outro vento cumpre o que promete o título arejando o cenário. O músico brasileiro, que passou quase uma década exilado em Paris, volta com uma música instigante e cheia de personalidade. Geograficamente longe das rádios, dos modismos e das paradas de sucesso brasileiras Julio conseguiu desenvolver sua própria linguagem musical. Na volta ao Rio traz na bagagem um punhado de ótimas canções apresentadas por um artista que está pronto. Bons ventos."
Beto Feitosa | http://www2.uol.com.br/ziriguidum/0805/080523-01.htm
.......................................................................................................................
Julio Dain estréia com "Outro Vento"
O cantor, compositor e instrumentista Julio Dain ainda é, no Brasil, um ilustre desconhecido. Não é para menos, já que ele deu início e desenvolveu sua carreira musical na França, para onde se mudou quando tinha 23 anos e onde morou ao longo dos último oito.

Mas a falta de credenciais em seu país de origem não deve impedir que ele, de volta ao Brasil, solidifique por aqui suas bases. A gravadora Biscoito Fino acaba de lançar seu álbum de estréia, "Outro Vento", gravado na França entre 2006 e 2007, antes de seu retorno, no ano passado. O rebento mal acaba de chegar ao mercado e Dain já está em fase de realização de um segundo trabalho, desde já intitulado "Ficção Científica", que tem previsão de lançamento para 2009, também pela Biscoito Fino.

A adesão da prestigiosa gravadora - casa de Bethânia e Chico Buarque, entre outros - à música de Dain não é fortuita. "Outro Vento", álbum que é 100% autoral, revela um artista alinhado com a melhor tradição da MPB, mas que exala originalidade. "Eu acho que, em linhas gerais, o jazz e a MPB são minhas princinpais influências, o que passa por Jobim, Caetano, mas sempre gostei, também, de coisas diferentes, de artistas que não foram tão bem sucedidos porque ousavam experimentar coisas diferentes, como, no caso do Brasil, o Arrigo Barnabé, o Grupo Rumo ou o Jards Macalé, e fora, o Frank Zappa. Também sempre ouvi muita música erudita, acho que minhas composições têm um pouco de impressionismo e de Bartók", diz Dain.

Ele recorda que sua ida para a França foi motivada pelo desejo de conhecer outra cultura, sem o plano de seguir a carreira musical. "Quando fui, a idéia era passar seis meses ou um ano, mas acabei decidindo ficar. Estudei numa escola de jazz durante um tempo e comecei a desenvolver meu trabalho por lá, onde me casei, separei, construí uma vida. A França foi o lugar onde formatei o meu trabalho. Quando fui, já tocava piano e gostava de escrever poesias, mas o amadurecimento da minha arte e a formatação da minha música aconteceram realmente na França, onde compus a maior parte do meu repertório e pude tocá-lo com diversos músicos e em diversos lugares", diz, acrescentando que, por esse motivo, volta com um trabalho pronto.

Dain aponta que o retorno, aliás, deveu-se à percepção que teve sobre o fato de que sua música poderia ter uma boa recepção. "Fiquei com vontade de voltar depois de umas férias que passei aqui. Fiz um show, há uns três anos, no Rio de Janeiro e senti que meu trabalho teve uma penetração muito boa", conta.
DANIEL BARBOSA | jornal "O Tempo" de Belo horizonte, MG | 26/05/2008
.......................................................................................................................
"Un parisien parigot hors des sentiers battus. Voilà qui est intrigant… Julio Dain ne joue pas des clichés, et c’est tant mieux. Son répertoire, personnel, emprunte autant à la musique brésilienne, qu’au jazzou à la musique classique. Et les textes de ce poète son inspirés, ce que fait qu’on insiste : il est à découvrir."
"Um brasileiro parisiense longe do lugar comum. Eis o que é intrigante... Julio Dain não toca clichês, e ainda bem que é assim! Em seu repertório pessoal há tanto musica brasileira, quanto jazz ou musica clássica. E os textos deste poeta são inspirados, o que faz com que insistamos: ele deve ser descoberto."
Rémi Kolpa Kopoul, revista « nova », Paris 2003.
.......................................................................................................................
"DICA DE DISCO: Há 10 anos em Paris, o carioca Julio Dain sopra em Outro vento (Biscoito Fino) uma MPB retrofitada com novos elementos. Ecos paradoxais de Chico Buarque e Orlandivo em seu timbre freqüentam a assimetria do samba quebrado De calçada em calçada. Entre caricata e singela, serpenteia a valsa Contigo não. Ataque Surpresa, pontilhado no piano (do solista), flutua em atonalidade. Quanto é um coco embolada quebra-língua minimalista. As espirais da bossa Passando fio dental, pavimentada por teclado Rhodes e trombone, exacerbam-se num contraponto à plácida Penta horizonte, que se esvai num sax jazzístico. Calamidades naturais, faixa fecho, ginga com a célula de Aquarela do Brasil e fuzila: “Suas calamidades naturais / o homem é quem faz”. Com exceção de uma djavaneada em Consciência x sensação, Julio supera o cataclisma e candidata-se à originalidade.”
Tárik de Souza, JB, caderno B, 11 de Abril 2008
.......................................................................................................................
"OUSADIAS E MELODIAS - Compositor, pianista e cantor carioca, Julio Dain viveu durante muito tempo em Paris. Na capital francesa, compôs as canções de Outro Vento, seu primeiro disco, ali gravado (em 2006 e 2007) e que agora sai no Brasil. Mesclando influências do jazz com o melhor da MPB, Dain produz um som saboroso e vigoroso. Acompanhado por Bobby Rangell (sax, flauta), Edivandro Borges (trombone), Edmundo Carneiro (percussão), Fabrizio Fenoglietto (baixo), Line Kruse (violino), Ligiana Costa (coro) e Luis Augusto Cavani (bateria), Julio Dain apresenta temas bastante criativos, casos de Nas Entrelinhas, Canto, Penta Horizonte e os instrumentais Prelúdio e Passando Fio Dental, todos de autoria própria. Letras inteligentes, harmonias intrincadas e inventividade dão o tom ao disco. Vale ouvir com atenção, é de qualidade."
TONINHO SPESSOTO | Segunda-feira, 12 de Maio de 2008
http://www.blogacordes.blogspot.com
.......................................................................................................................
“NOVAS TRIBOS - Ele morou em Paris durante quase uma década, período em que compôs para o cinema (curta-metragem) e dirigiu espetáculos musicais. O compositor e cantor Julio Dain está de volta ao Brasil, e na bagagem ele trás o disco “Outro vento”, que gravou nas terras de Jane Birkin. Recém-lançado pela gravadora Biscoito Fino, o trabalho oferece 12 composições criadas e cantadas por Julio Dain, que não apenas surpreende como intérprete  singular, mas principalmente, pela sua música urbana, onde mesclas de funk, jazz  e MPB são servidas em uma mesma bandeja. Por vezes soa como um aluno de Chico Buarque. Mais adiante nos remete aos experimentos de Djavan e tudo se deságua em um trabalho autoral  de  grande impacto."
Pedrinho Alves Madeira | www pelomundo.cm.br
.......................................................................................................................
"O piano e as composições de Julio Dain sabem aos melhores mestres da nossa música popular. Passam por eles sem os imitar. Têm sua marca própria, encontrada numa nova concepção dos tempos, tanto nas canções, como nos sambas e choros, que provocam um surpreendente balanço, diferenciado, sem perder as características de suas origens culturais, em ricas letras, melodias e harmonias. Mais alguns trabalhos como os de Julio e estaria reatado o elo rompido do processo evolutivo da música popular brasileira, nos idos da ditadura. Seu trabalho precisa vir à tona, para redespertar a esperança de novos criadores, adormecidos nos descaminhos do novo rumo de nossa nova musica popular."
Sérgio Ricardo
Compositor e cineasta
.......................................................................................................................

"Compositor e letrista inspirado, Julio Dain foi meu aluno, mas chegou a uma concepção própria e inovadora de utilização do piano na música popular, principalmente em termos de acompanhamento. Num momento em que quase todos os cantores se acompanham ao violão, suas apresentações de piano & voz vêm trazer um sopro de renovação ao cenário da MPB."
Antonio Adolfo
Pianista, compositor, arranjador